Com saúde falida e desestruturada, governadores querem que o Ministério da Saúde assuma a compra de medicamentos para a covid-19
29/06/2020 18:33 em NOVIDADES

Por Hélio Nogueira TV

Sensatez e caldo de galinha não fazem mal a ninguém! 

Vinte e três governadores e mais o do Distrito Federal decidiram que não querem mais a a presença da Polícia Federal bisbilhotando residências de governadores e de seus assessores, por conta de compras de medicamentos e equipamentos para prevenção e combate à Covid-19, com suspeita de superfaturamento. 

Na sexta-feira (26), esses governadores, por intermédio do Fórum Nacional dos Governadores, assinaram ofício pedindo ao ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que realize a partir de agora, as compras emergenciais do kit de intubação, que está em falta em vários estados, composto de um grupo de medicamentos essenciais no processo de recuperação de pacientes que necessitam de ventilação mecânica.  

Esssa decisão dos 23 governadores, que assinaram o ofício, nos remete a três lamentáveis conclusões: 

A decisão atabalhoada do Supremo Tribunal Federal, que, por ordem igualmente equivocada do ministro Alexandre de Moraes, sem medir nenhuma consequência, retirou a autonomia do governo federal no gerenciamento da pandemia, dando a estados e municípios a liberdade de decretar o que bem entendessem e de realizar comprar emergenciais superfaturadas, o que levou e tem levado a Polícia Federal a estar nas ruas de todo o país. 

Ao devolver ao governo federal a autonomia na compra direta dos medicamentos, esses 23 governadores admitiram sua incompetência no gerenciamento de crises emergenciais. Também admitiram não estarem preparados para o encaminhamento de soluções imediatas ao constatarem que, embora com recursos federais em caixa, do qual poderiam lançar mão a qualquer momento, há o risco de desabastecimento nacional de sedativos, bloqueadores neuromusculares e outros insumos para manter o paciente intubado. 

A mais grave e a mais lamentável de todas as constatações é o fato de que o serviço de saúde dos estados, além de falido, não tem estrutura em recursos humanos capaz de responder com presteza e eficiênca às necessidades imediatas exigidas no combate à Covid-19. Quando os 23 governadores decidem de comum acordo entregar a responsabilidade pela aquisição direta desses medicamentos ao Ministério da Saúde é porque também não depositam a confiança de que as compras possam ser feitas com lisura, ética e respeito ao dinheiro do contribuinte. 

Os governadores não querem mais ser alvo de operações da Polícia Federal, como também não querem mais passar por episódios como ocorreram nas compras de respiradores, onde cada um adotou uma forma diferente de negociar perdendo tempo e dinheiro por terem caido nas mãos de quadrilheiros e atravessadores. E não vamos isentar ninguém, porque boa parte desses governadores sabiam com quem estavam tratando.

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